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Este tipo de câncer atinge um dos órgãos do sistema urinário chamado bexiga, que fica localizada entre os rins e a uretra. Dependendo das células acometidas, pode ser classificados em três tipos.

A primeira é a Carcinoma de células de transição ou uroteliais: Representa a maioria dos casos e começa nas células do tecido mais interno da bexiga. Já o segundo tipo conhecido é nomeado Carcinoma de células escamosas por afetar as células delgadas e planas que podem surgir na bexiga depois de infecção ou irritação prolongadas.

Por fim, ainda pode ser diagnosticado o câncer Adenocarcinoma, iniciado nas células de secreção que podem se formar na bexiga depois de um longo tempo de irritação ou inflamação.

Em casos de células cancerígenas limitadas ao tecido de revestimento da bexiga, o caráter e abrangência deste é superficial. A patologia, em geral as células de transição, partem de um ponto se alastrando para outros órgãos e tecidos próximos, sendo a esse tipo essencial a descoberta precoce.

 Grupos de risco

 Por se tratar de uma doença que não é possível delimitar precisamente os riscos que levam ao aparecimento das células cancerígenas, grupos de maior risco e probabilidade de obtenção da mesma podem ser colocados, levando em conta análises de dados, perfis desses indivíduos, juntamente com seus hábitos e rotinas.

Por exemplo, a idade somada a raça pode ser um fator preponderante para aumento de casos, homens brancos de idade avançada são mais propensos a apontar sinais e sintomas. Tabagismo e uso de outras drogas também estão associadas com frequência vista em 50 à 70% das vezes.

O trabalho em locais mais expostos a compostos químicos, como aminas aromáticas, azocorantes, entre outros, além de alto índice de poeira de metais e agrotóxicos também torna o organismo desses homens mais fragilizados a patologia.

A rotina no campo, áreas de construção com fundição, extração, siderúrgicas e demais indústrias ocasionam maior risco de desenvolvimento da doença, pois o manejo dos mais diversos aparelhos e contato direto com as substâncias potencializam de forma negativa para organismo em prol desses invasores cancerígenos.

Dados

Nos anos de 2018 e 2019, estima-se que em todo território brasileiro sejam notificados 6.690 novos casos de câncer de bexiga em homens e 2.790 em mulheres.

Esses valores correspondem a um risco estimado de 6,43 casos novos a cada 100 mil homens e de 2,63 para cada 100 mil mulheres, segundo dados calculados em pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Considerado por região e apenas ao sexo masculino, a patologia atinge no Centro-Oeste 5,64/100 mil homens, já nas região Sul e Sudeste ocorrem 9,23 casos a cada 100 mil indivíduos e nas demais regiões, no Nordeste o número é de 3,43 diagnósticos a cada 100 mil e no Norte 1,63/100 mil pessoas.

Para as mulheres, na região Centro-Oeste ocorre com frequência de 2,27 casos a cada 100 mil e Norte com baixa porcentagem 0,93/100 mil. Já nas Regiões Sul 4,50 casos a cada 100 mil, Sudeste 3,02/100 mil e Nordeste 1,70/100 mil.

 Sintomas

Casos em estágio inicial podem apresentar sintomas como sangue na urina, dor durante o ato ou necessidade frequente de urinar, mas sem conseguir fazê-lo, são indicativos de alerta para procurar ajuda médica especializada, pois diferentes doenças podem ser constatadas em relação ao aparelho urinário, inclusive o câncer de bexiga.

Dores na região lombar, perda de apetite e peso, fraqueza, demais dores ósseas e inchaço nos pés são outros sinais que podem ser resultante de um câncer neste órgão em um nível mais avançado.

 Diagnóstico

 Fase de avaliação realizada por exames de urina e/ou de imagem, como tomografias computadorizadas e citoscopia que se baseia na investigação interna da bexiga por meio de instrumento com câmera acoplada em sua extremidade.

Durante a cistoscopia podem ser retiradas células para biópsia e a probabilidade de recuperação depende da extensão do tumor encontrado, assim como seu estágio de proliferação, além da idade e saúde geral do paciente.

Cirurgias e tratamentos

 Em vista de ser necessário considerar diferentes fases, sintomas, tamanhos e estadiamento, os tratamentos e respectivas cirurgias, assim como os tipos, também são divididas e até mesmo subdivididas em algumas técnicas diversificadas.

No Estádio I

Estágio em que o câncer não invade a parede da bexiga ou o faz superficialmente, a chance de tratamento curativo pode ser alta, incluindo em sua estratégia alguns métodos.

1 – Ressecção transuretral (RTU) endoscópica

É uma técnica que retira por via endoscópica, sem a necessidade de incisão cirúrgica, o tumor localizado na bexiga, por meio de introdução de um aparelho pela uretra do paciente.

2 – Tratamento intravesical

Neste procedimento é realizado a sondagem vesical e injeção de um quimioterápico dentro da bexiga. O objetivo final deste tratamento é estimular a ativação do sistema.

Com uso de anestesia local de xilocaína gel injetada pela uretra, este tratamento é indicado para o caso de múltiplos tumores, tumores pouco diferenciados, invasivos ou de carcinoma, com a principal intenção de precaver o organismo de uma reincidência no local de tumores removidos por cistoscopia e/ou invasão muscular de região próxima as células já impactadas.

Pode se considerar a administração de um quimioterápico chamado gemcitabina também introduzido por via intravesical.

Contudo, em menores possibilidades, pode ocorrer recidiva da doença, apesar do tratamento realizado, se esse for o caso, o médico irá discutir com o paciente as opções que podem incluir nova ressecção endoscópica, tratamento intravesical com BCG ou outros agentes, sendo ponderado em situações mais graves a remoção de toda a bexiga.

Nos estádios II, III e IVA

São percebidas as invasões musculares, gorduras localizadas, geralmente, no revestimento da bexiga, órgãos vizinhos ou em linfonodos.

O tratamento indicado para esses estágios é a cirurgia associada ou não à quimioterapia pré-operatória, tecnicamente conhecida como neoadjuvante ou pós-operatória, essa nomeada como adjuvante. Existem ainda as situações de exceção, quando ao invès de ato cirúrgico, pode-se indicar radioterapia como complemento da quimioterapia.

Exceções também ocorrem, possibilitando a remoção parcial por meio do procedimento de cistectomia parcial ou ainda a depender do paciente e estadiamento do cancro é aconselhável a cistectomia radical pela qual a bexiga é retirada totalmente.

Para o Sexo Masculino

Os pacientes homens neste modelo de tratamento além da remoção da bexiga sofrem com a retirada da próstata, linfonodos da pelve e das vesículas seminais. Após a realização, o indivíduo perde a capacidade de produção de sêmen, com o orgasmo persistindo de forma seca.

A retirada da próstata pode causar graus variados de impotência sexual, aqueles  que desejam ter filhos no futuro devem procurar um banco de esperma para armazenar seu próprio sêmen antes da cirurgia.

Para o Sexo Feminino

Em grande parte dos casos, além da remoção da bexiga, podem ser retirados útero, ovários, cúpula vaginal e os linfonodos da pelve. Após a remoção da bexiga, existem duas técnicas principais para reconstrução do trato urinário.

1 – Neobexigaortotópica

Metodologia cirúrgica que representa a confecção de um novo reservatório de urina, manipulando um segmento de alças intestinais de cerca de 20 a 30 cm, que ficam excluídas do trânsito de toda a região intestinal. Já os ureteres e a uretra são suturados e ligados por meio de uma neobexiga que armazenará a urina produzida pelos rins.

Essa estratégia possui a vantagem de não necessitar de uma bolsa coletora presa ao abdome, preservando assim a  imagem corporal e auto estima do paciente. Porém desvantagens e indicações também devem ser colocados as pacientes que irão passar por tal cirurgia, como por exemplo, maior tempo cirúrgico, realização apenas em pacientes com função renal normal e estável, efeitos colaterais como alguns distúrbios metabólicos leves e a necessidade de autocateterismo na maioria dos casos.

2 – Conduto ileal ou cirurgia de Bricker

Cenários singulares, como no caso de pacientes com idade muito avançada ou com grande debilidade devido a tratamentos anteriores ou doenças correlacionadas ao câncer, faz-se a reconstrução da bexiga de forma mais simples.

Com intuito de diminuir os riscos a vida da paciente e utilizando segmento intestinal que é exteriorizado na pele por um orifício chamado estoma, tendo esse recurso o auxílio de uma bolsa coletora aderida a parede abdominal

Algumas vantagens como não precisar ser utilizada sondagem, realização da reconstrução, na grande parte dos casos, de modo mais rápido e com menos complicações, somada a adaptação gradativa ao uso da bolsa coletora podem ser consideradas nessas condições clínicas.

Entretanto existem desvantagens, pois pode haver irritação da pele pela urina e/ou pela cola adesiva do coletor, certo desconforto e danos à autoimagem. Por isso, em casos diferenciados, a opção pode ser a remoção de apenas uma parte da bexiga, ssa cirurgia chamada de cistectomia parcial, indicada a variar de caso para caso o tratamento auxiliar de quimioterapia antes e/ou depois dessa cirurgia.

Radioterapia e Quimioterapia

Esses dois métodos considerados os mais indicados para pacientes sem condições clínicas de se submeter a cirurgias de grande porte ou que pretendem preservar a bexiga. No caso da radioterapia exclusiva ou em conjunto com a quimioterapia é indicada nessa situação como tratamento de “reserva” ou “alternativo”, pois a cirurgia ainda é o método de escolha no tratamento do câncer de bexiga invasivo.

Já os quimioterápicos mais comumente associados a radioterapia são a Cisplatina ou a Gemcitabina, ambos feitos por via endovenosa. A duração deste tratamento é de aproximadamente 5 semanas.

Estádio IVB

Por fim, esse tipo de nível avançado das células cancerígenas que já se espalharam para órgãos como pulmões, fígado e ossos se faz necessário atingir as células tumorais através da administração de drogas quimioterápicas ou imunoterápicas que entram via corrente sanguínea.

Neste estágio, geralmente com metástases no organismo, as cirurgias não são recomendadas, devido às chances de recuperação definitiva serem bastante reduzidas, entretanto mediante tratamento pode se controlar sua progressão e aumentar a longevidade da vida do paciente.

 

 

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